A pasta do mundo é nossa...

Achei que já havia desistido de comer macarronada há muitos anos. Até então, minha lembrança de macarronada de domingo era acordar de ressaca, ir para a cozinha, encontrar a mesa posta com a pasta, o frango assado, a maionese de legumes e meus pais me olhando de cara feia.

Também achei que nunca fosse torcer pra Itália em uma Copa. Não que eu tenha muitos traumas da Copa de 82. Na verdade, não tenho nenhum. O que restou na minha memória foi somente um delicioso sorvete de creme e chocolate promocional, da Gelatto, vendido em uma bolinha de futebol de plástico marrom, que eu não parava de colecionar.

No último domingo, enquanto a Azurra entrava em campo, um quadrado mágico dominou a cozinha para completar o clássico da final: macarronada com bracciola. Alê, no molho, Pedro, na massa, Gi (na foto com a massa) e Deca fazendo a cobertura. Partida memorável.

Receita de família, o molho de tomates 'de verdade' com bracciolas recheadas de azeitonas pretas e bacon, estava espetacular - um dos melhores que já provei. A massa feita em casa com farinha de semolina e cortada na hora ficou incrivelmente leve. Barilla que se cuide.

Completando o menu campeão, saborosas batatas assadas com bacon* - receita da avó do Alê. Tutti perfectto. É uma pena que, ao contrário da macarronada da ressaca, essa não se repete todo domingo.

*Como eu tive de voltar ao mercado para trocar uma bandeja de toucinho por bacon, reforço aqui que a regra é clara: toucinho é a 'gordura do porco, subjacente à pele, com o respectivo couro'. Bacon é a mesma coisa só que em versão defumada. E tanto 'toucinho' como 'toicinho' estão no Aurélio. Fale a gosto.

Restrições

Como é bom cozinhar para os amigos (quando a comida dá certo, é claro). Mas tem uma sensação melhor: converter alguém com a sua comida.

Certa vez fui preparar um prato bem brazuca no open house do querido Felitti. Carne seca acebolada com manteiga de garrafa, purê de abóbora, couve e arroz. Um dos convidados, ninguém sabia, não comia carne seca nem por decreto.

Imagine o sofrimento de ter alguma restrição alimentar, que vem a ser justamente o prato principal de um pequeno evento? Pense na sensação de estômago vazio e desespero pensando se revela que não come aquilo nem amarrado, se alega dieta, simula um desmaio, ou então torce para aparecer um cachorro pela casa pra despachar o inimigo. E o medo de passar mal após a primeira garfada diante da cozinheira ansiosa? Que gastrite.

Acho que todo mundo já passou por isso. Tive um episódio, certa vez, com figo em calda. Olhei bem pra cara daquele figo verde de compota, coloquei um pedaço na boca bravamente e... detestei. Não consegui nem engolir o comentário "Ah. Não vai dar", soltei. Ninguém se feriu, ou melhor, ninguém me feriu.

No dia da minha comida, a meiga e doce Dani Moreira foi digna. Ficou calada, enfrentou a carne seca, comeu e... repetiu. Depois daquele dia, Moreira nunca mais deixou de comer carne seca. Não só a minha, mas carnes secas de diversas cozinhas, em PFs, restaurantes, botecos, casas de família, bares, entre outros lugares. Agora, ela se prepara para ir à Europa onde deve eliminar outras restrições alimentares, ou então, levar carne seca na bagagem.

Essa história real de conversão foi revelada ao BraunCafé na semana passada, meses após o open house. Pouco depois, Dani estava diante, é claro, de mais um PF com carne seca. Que orgulho.

A linda carne seca e a manteiga de garrafa daquele open house vêm de um lugar mágico: o Açougue e Casa do Norte Santana, que tem muitos produtos específicos nordestinos de boa qualidade e vende até caldo de eguia (?). Indico para todos os feitiços culinários de conversão. Será que funciona com arroz e feijão? Aguardem os próximos capítulos de 'Restrições'.

Açougue e Casa do Norte Santana, que não fica na ZN: Rua Peixoto Gomide, 72 - Bela Vista.

Feitiço: peça para o açougueiro Pedro cortar meio quilo de carne seca. Ele vai dizer que é tão macia, que você nem precisa colocar na pressão. Ignore. Lave a carne um pouco em água corrente, corte em pedaços grandes e coloque na panela de pressão com água. Quando a panela começar o 'chique-chique' deixe cozinhar por 20 a 30 minutos. Retire a pressão, escorra a carne e desfie com um garfo. Se alguém aparecer na cozinha oferecendo ajuda, terceirize a função. Refogue, na manteiga de garrafa, uma cebola grande cortada em rodelas. Ponha a carne, refogue mais um pouco, coloque um punhado de salsinha picada e mande ver.

O boi alegre

Recentemente li uma matéria na Folha de São Paulo sobre um hambúrguer lançado pelo restaurante Estik, em Madri, que custa 250 reais - não tem vírgula... são 250 pilas mesmo.

A facada se deve ao boi Kobe, que vêm da Nova Zelândia e é um animal feliz, ou talvez seja a última linha da encarnação de alguém que foi quase bacana. Segundo a matéria, o Kobe é tratado com música clássica, massagem e cerveja (sim cerveja) para ficar bem tenro e saboroso antes de virar filé.

É fato que cerveja amacia a carne. Comprove com a Carne de Panela ao molho de Malzibier do Dona Bêga (atendimento familiar, comida caseira muito boa e criativa). Agora... dar a cerveja direto para o boi é no mínimo genial. Imaginem um boi tomando Guinness e ouvindo rock´n´roll no que ia dar?

Boi, guinness, rock, hamburguer... ah sim... ia dar na Casa Belfiori. Lá o preço é amigo, tem cervejas bacanas e, é claro, o drop kick (hamburguer com gorgonzola e bacon, que acompanha batatas meia lua estilo cantina). O famoso paredão de carne só é servido na versão 2.0 do antigo pub, o Clube Belfiori, que tem rock´n´roll ao vivo. Cuidado! Todos que comeram se viciaram...

Clube Belfiori (CB): Rua Brigadeiro Galvão, 871 - Barra Funda. Tel: (11) 3666-8971
Dona Bêga: Avenida Aratãs, 791 - Moema. Tel: (11) 5561-4986

Amigo de fé

— Você gosta de comida japonesa?
— Sim
— Opa! Conheço um japonês na Liberdade muito bom e barato... sensacional.
— Maravilha! E como se chama?
— Ah... não me lembro. Estava escrito naqueles símbolos sabe?
— Sei.
— Fui com uns amigos e o sashimi deles é fantástico.
— Bacana... então onde fica exatamente?
— É na Liberdade... numa daquelas ruas lá. Quando eu for te dou um toque. Você tem que conhecer esse japa!

Ah... o velho conto do restaurante japonês na Liberdade que é um achado. Acredito que já ouvi essa história pelo menos umas oito vezes. Até hoje não conheci o japonês escondidinho em um beco do tipo "Além da Imaginação" com seu nome escrito em kanji, katakana ou hiragana, onde rodízio é barato e sensacional.

Conheci sim, na semana passada, um restaurante tradicional japonês, que fica na Liberdade, mas não está escondido, que exibe seu nome ocidental em um amplo letreiro e que oferece um rodízio a 32 reais, com mais sashimi de excelente qualidade do que qualquer outra coisa.

Sem desmerecer os achados, que certamente são ótimos e ainda quero conhecer, o Sushi Yoshi, ou simplesmente AMIGO, é um pequeno restaurante típico japonês, na Rua da Liberdade, onde você tira os sapatos, toma uma Original e escolhe entre os pratos a la carte, o rodízio e o festival, que tem mais pratos quentes - indicado para o perfil 'Adoro comida japonesa! Só não como peixe cru'.

O rodízio segue o estilo 'Vamos ao que interessa' - missoshiru (indicado para preparar o estômago antes do peixe), guioza no vapor (e não frito pelamordedeus) e shimeji na manteiga. E então, rodeados por um cenário de salsinhas japonesas e nabos chegam variados sushis e sahimis de salmão, atum, tainha, atum grelhado e meca, o suave 'atum branco'. Tudo muito saboroso.

No sashimi, o meca confunde-se com o peixe prego, "mas este é perigoso", comentou o senhor Yoshizumi atrás de seu balcão de sushiman, enquanto cortava as cenouras para os próximos clientes atendidos até 3 da manhã. O trocadilho aqui é inevitável: Amigo é... coisa pra se guardar.

AMIGO (Sushi Yoshi) - Rua da Liberdade, 607. Tel (11) 3277-1616. Em frente à Casa de Portugal, na esquina com a Barão de Iguape.

Choperia Liberdade, Liberdade...

Qual é o seu conceito de liberdade? O da choperia que leva esse nome é bem amplo. Bar (chope Brahma), karaokê, restaurante japonês, snooker e churrascaria. Até aí, tudo bem, Então... vamos entrar.

A Liberdade se abre em portas vermelhas almofadadas, com espelhos e detalhes em dourado. Ao cruzá-las você passa por um corredor com sofás e já observa, a sua frente, profissionais do karaokê cantando Besame Mucho em japonês. Continue...

Agora você entrará em um amplo galpão. À direita está a cozinha de onde saem os grelhados, assim como o aroma que marcará sua noite de diversão, suas roupas e seus cabelos...

Ao fundo do galpão seis mesas de sinuca lhe esperam. Ao redor, televisores mostram as letras do Besame Mucho em japonês, assim como os animados vídeos do karaokê. No teto se espalham, de forma desordenada, milhares de luminárias e bolas coloridas. Nas paredes, sequências de pôsteres com temas igualmente diversificados: Massas, Beatles, Carros, Urso, Disco Voador etc. Na janela falsa pousa uma garça de plástico rodeada por uma vegetação sintética.

O conceito se estende aos frequentadores. Membros da comunidade, descolados, moças que atuam na noite, deslocados, divertidos e por aí vai. Quem põe ordem nessa liberdade toda é uma japonesa baixinha e simpática que gosta de ser chamada de "Mama". É com ela que você deve reservar sua mesa, pedir um shimeji na manteiga ou uma picanha, tomar muitos chopes, jogar sinuca, cantar "Strangers in the Night" ou o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense de 1989 ("Liberdade, Liberdade! Abre as asas sobre nós") olhando para a garça de plástico e, de fato, ser livre...

Choperia Liberdade: Rua Glória, 523. Tel: (11) 3207-8783.

Comida di Buteco... Saideiras

1) Dica do PH para quem já quer treinar o mineirêsss no festival Comida di Buteco 2007. Fale rápido: "OcêsásiessônspassnaSavassi?"

2) Dica de saúde da Dona Maria, 80 anos, proprietária do Casa Cheia, que ganhou o Comida di Buteco de 2005: trabalho 12 horas por dia e não deixo de beber uma cervejinha.

3) Todo boteco de Belzonte serve cerveja no copo Lagoinha, que os paulistas chamam de americano. A diferença básica, além do nome, é que o lagoinha é geralmente preenchido por uma cerveja absurdamente gelada, e o americano por uma gelada.

4) Lá pelas 3 ou 4 da madruga, os belzorizontinos  que saíram da balada lotam o Bolão para bater um PF ou um spaghetti à bolonhesa. Comemos o PF, com bife e um zóião. Lindo!

5) Você só vai achar uma conta alta em um boteco de BH se estiver enchergando dobrado.

6) Se você acha que quiabo sem baba é um mito... vá pra Minas.

7) Se você for a BH e não visitar pelo menos um boteco... vá pra casa.

Comida di Buteco... Nó!

Foi na terra do Ora Pro Nóbis, que eu, Cecília, Alê e 'Predo' ajoelhamos e agradecemos a 'Nó Senhora' pelo Comida di Buteco. Criado há sete anos, esse concurso dos melhores botecos de BH deu origem ao Boteco Bohemia, que acontece há três, em São Paulo. No feriado de 1º de maio caímos na estrada com um único objetivo: desbravar o festival. Dos 36 concorrentes, em três dias, com a ajuda do Jack, nosso brother local, visitamos seis. Na sequência:

Família Paulista - Tributo a JK - Frango com quiabo (sem baba! sem baba!) e angu (polenta) na brasa (8º lugar no festival);

Bar do Careca - Frango Patureba - Frango ensopado em cubos com creme de milho e quabo. Fora do festival, ainda no Careca, piramos na Língua refogada. É o famoso 'me engana que eu gosto' e repito.

Chef Tulio - Num-baba-Não-Sô - Panhoca (pão italiano pequeno) recheada com cozido de carnes ao molho de vinho tinto e quiabo crocante;

Aconchego da Floresta - Costelinha ao molho pardo com angu e a melhor decoração de banheiros do festival - luz negra e Je T'aime no último volume no banheiro masculino e iluminação pink com 'La Vie en Rose' em caixinha de música do feminino. Sensacional.

Bar do Doca (gente finíssima) - Caldeirão Verde e Amarelo (carne de panela ao molho de champignon com angu de milho). Maravilhoso.

Casa Cheia - Mexedoido Chapado com carnes variadas servido em uma frigideirinha de ferro com um ovo de codorna frito por cima para arrematar (7º lugar no festival e 1º na minha lista). Neste boteco, que fica no obrigatório Mercado Central de BH, encontramos nosso brother Israel que nos apresentou a Maria Eulália, o gênio e a simpatia por trás dos festivais. Rio de Janeiro e Salvador serão os próximos, segundo ela. Indicamos o Zé Leite para no Boteco Bohemia 2006. Vai Zé!

Siviço: O vencedor do Comida di Buteco 2006 foi o Bar do Zezé com o Trupico Mineiro (feijão, pé-de-porco, linguiça e costelinha de porco com mostarda refogada e farinha de milho torrada). E as receitas de todos os concorrentes estão no site do festival. Orai por nós...

 

Zé Leite*

"Além do horizonte, existe um lugar..." em que a cerveja é barata, a comida é boa demais e as pimentas são alucinógenas. Prepare-se para entrar no maravilhoso mundo de Zé Leite - Casa do Norte.

Como todo tesouro, esse restaurante-botequim-nordestino-tradiça está bem guardado na Avenida Itaquera, 2.500, Vila Matilde, na Zona Leste.
Graças ao amigo Pedro, morador do Tatuapé, que adora boteco e gosta tanto de rock dos anos 80 que mora perto da Vila Manchester, eu e o brother Alê, que também gosta das mesmas coisas, fomos ao ZL no sábado (15/04).

Na mesa, três garrafas de pimenta desafiadoras: uma grande com pedaços de malagueta, outra do tipo molho e a terceira, um Extrato de Pimenta. Embalando o líquido de cor âmbar um rótulo com duas pirâmides - provavelmente um aviso sobre o destino mais provável de quem provar mais de duas gotas.

Para quem vai abastecer (Brahma a R$ 2,70) um cartaz já vai avisando: "Não aceitamos cheques" (só cartão).

Os trabalhos foram iniciados com caldinho de feijão. Tinha coentro. Tão bão que perdi a frescura. Depois provamos Jabá, carne seca com gordura bem molinha; cupim (affffff) e um baião de dois de lamber o prato. Tudo regado a 13 cervejas e muita risada. A conta: 56 reais para os três. Aaaah Zé Leite.

Pedro dá o siviço: "O Zé Leite fica na Avenida Itaquera, 2500. O horário vai até às 23h, senão se engano. O tel é 6746-7487. De metrô: hmmmm... melhor descer na estação Vila Matilde e dizer que quer chegar no 2.500 da Itaquera, acho".

*Toast de 19/04/2006 publicado no Blog Atonal.

O Dom de fazer PF*
 
O restaurante D.O.M, comandado pelo... chef... Alex... Atala... está entre os 50 Melhores Restaurantes do Mundo (veja a íntegra aqui). Tudo bem que ficou na 50ª posição, mas é um reconhecimento para o Brasil, a terra onde tudo que se cozinha dá. Uma vez eu fui ao D.O.M em um almoço de trabalho (como pessoa física ficaria difícil).

O meu pedido não envolveu nada parecido com filé do demônio da tasmânia ao molho de trufas negras preparado por virgens celestiais. Comi um legítimo PF. Era o almoço executivo do dia com arroz, feijão, farofa, banana frita e um grelhado a escolha - pedi um peixe. Impossível deixar de comentar que tudo foi servido em panelinhas Le Cruiset. Tudo bem fino, mas deixemos a prataria de lado. Estava bom? Não, excelente.

Quem já fez e/ou já comeu arroz, feijão e bife sabe que o ponto maravilha é uma prova de fogo. Acho que um bom chef ou dono de boteco no Brasil tem de saber fazer PF e Ponto Final.
 
Leia a Trip de abril com fotos apimentadas de Alex Atala e assista ao chef falando... em... pausas... no ótimo programa 'Mesa para Dois' no GNT, com a simpática chef Flávia Quaresma.

*Toast de 11/04/2006 publicado no Blog Atonal .

Cacildis*

Não é à toa que Anthony Bourdain, chef de cozinha, escritor e roqueiro, disse que a feijoada é um dos pratos perfeitos da culinária mundial. Se você está em busca de um desses no sábado vá ao Cacilda Bar e peça a completa para dois. Custa R$ 41,90 e serve muito bem três comilões.

Tudo começa com caldinho de feijão no copinho de pinga - leve e muito saboroso, pena que acaba logo. Depois começam a chegar as iguarias originárias do "Maravilhoso Animalzinho Mágico" de Homer Simpson: torresmos e linguicinhas com madioquinha frita para começar seguidos de uma feijoada generosa acompanhada de 'bisteca mordomia' (sem osso), couve com bacon sequinho, farofa, arroz e uma outra cumbuca com mais feijão à parte. Ah! Não se esqueça da laranja cortadinha. É importante comer frutas. Serramalte acompanha... você para a cama depois do almoço.

Cacilda: Rua Tito, 237 - Vila Romana. Tel: (11) 3679-2044.

Leia "Cozinha Confidencial" e assista (ou peça para alguém gravar) "Sem Reservas" no Discovery Travel & Living (TVA Digital). Anthony Bourdain é perfeito.

*Toast de 10/04/2006 publicado no Blog Atonal.

Gryptonita*

Gripe. Essa é a pior coisa que pode acontecer a um bom de garfo e de copo. Pior do que começar um regime macrobiótico na sexta, do que comer quiabo com baba, do que beber vinho Marcon... é sentir o gosto do nada. Na verdade, o único sabor que tenho sentido nos últimos dois dias é o de própolis. Hummm! Que delícia, hein? Tomem vitamina C porque a kryptonita dos gourmets está à espreita. Tenho medo do nada.

*Toast de 06/04/2006 publicado no Blog Atonal.

Feliz desaniversário*

La Dolce Vita existe e começa na segunda-feira. Sim, eu sabia que estava de muito bom humor para uma segunda, mas era o dia da formatura... do curso de vinhos para iniciantes da Associação Brasileira de Sommeliers - São Paulo - não é frescura e vale a pena.

A turma do fundão de cinco figuras marcou na Cantina Roperto, tradicional do Bixiga aberta há 62 anos. No dia mais chato da semana, o Roperto não cobra a rolha. É belo... leva seu vinho e bebe feliz. A segunda já melhorou? Espere até o acompanhamento - Perna de Cabrito Assada com Batatas e tomate. Quem viver comerá! O cabrito assado derretendo (mesmo), tenras batatas, seu vinho e suspiros de emoção. Por R$ 41 o prato serve três. E depois de duas taças você quase chora quando um bom e meigo velhinho vem tocar, no vilolino, clássicas canções italianas em sua mesa acompanhado de uma senhora no acordeon. Ela usa roupa de oncinha, mas e daí?

O momento é Don Corleone - 'Vou lhe fazer um favor e um dia vou cobrar. Esse dia nunca pode chegar, mas se isso acontecer... [vou querer a Perna de Cabrito do Roperto]. Já sacanearam dizendo que era meu aniversário e o velhinho violinista animado tocou "Parabéns a Você". Tentei consertar, mas... Alice... acorda Alice. Feliz desaniversário!

Pensando bem é assim que esses desaniversários deveriam ser. Bons amigos, vinhos da (nossa) casa, estupenda comida e muitas gargalhadas. Tudo isso na Dolce Segunda. Bravo!

O Roperto fica na Rua Treze de Maio, 579 - Bixiga. Telefones: (11) 3288-2573 / 3284-2987. A toalha de cantina que forra a home page é uma beleza viu?!

*Toast de 28/03/2006 publicado no Blog Atonal.

E lá vamos nós!*

Estava paquerando o bar A Lapinha há muito tempo. Sexta-feira (23/03) me apaixonei. Começou com um chope Brahma bem tirado e o caldinho de feijão - textura certa com salsinha e torresminhos à parte. O coração bateu mais forte. Papo vai... e vem o escondidinho de linguiça - maravilhoso e bem menos heavy metal do que eu imaginava. Para arrematar ("Warte... traz as porpéta") pedi uma bela porção de bolinhos de carne ('polpettas' dizia o cardápio). No final roubei um pedacinho do pavê de bolachas Maria com cobertura generosa de chocolate (bem bom). Lapinha havia me dominado por completo. Quando paguei a conta tive uma grata surpresa: um brinde de escondidinho grátis válido entre segunda e terça. Aaaah Lapinha... E lá vamos nós...

A Lapinha ótimo esquenta ou saideira após shows do Sesc Pompéia (Rua Coriolano, 336 - Lapa. Tel: 3672-7191). Visite também o vizinho Valadares. Aguarde novos posts (hummm Toasts) sobre comidas, bebidas e outras felicidades.

*Primeiro Post (Toast é mais gostoso) publicado em 27/03/2006 no Blog Atonal, onde essa história toda começou. Obrigada meninos pelo 'empurrão' (rs)

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