Depois da ressaca vem a comilança

E não há melhor recuperação para uma noitada de botecos em Belo Horizonte, do que um almoço mineiro no Xapuri.

Antes, Alê, Clau e eu (aí na foto tirada pelo Alê) colocamos nossos óculos escuros e paramos para um cafezinho coado, que ainda não foi superado pelo expresso em muitos estabelecimentos que visitamos na cidade. Andando no Centro, sem querer descobrimos o Café Nice. Esse clássico aberto em 1939 tornou-se parada obrigatória de políticos em campanha, incluindo JK, cujas fotos decoram as paredes de azulejo.

Após um passeio pela lagoa da Pampulha, passando pela linda Igreja e pelo Museu de Arte da Pampulha ("Vai Niemeyer! Vai Niemeyer!"), chegamos ao ambiente rústico e gostoso do melhor mineiro da cidade, segundo a Veja BH deste ano e nossa querida amiga Gi, que ainda vai conseguir nos acompanhar a BH.

Além dos diversos ambientes do restaurante, que cercam a cozinha industrial e um imenso fogão à lenha, estão lojas de artesanato, doces, uma linguiçaria - para quem quiser levar a famosa linguiça artesanal servida na chapa - uma cachaçaria e, ao fundo, a área de equitação. Naquela tarde de outubro, a criançada se divertia com corridas de pôneis.

Antes de escolhermos nossa mesa, Alê e eu demos uma espiada na cozinha da simpática chef Nelsa Trombino, que criou esse complexo gastronômico mineiro em agosto de 1988.

Uma hora e meia depois de nos sentarmos à mesa de madeira do Xapuri entendemos porque Gisele nos fez decorar o nome do restaurante e porque a Dona Nelsa ganhou mais uma estrela do Guia Quatro Rodas 2007.

Para abrir o apetite, queijo coalho [rimando] com pão de alho na chapa. Depois, os clássicos: lombo assado, tutu, torresminho, arroz, couve e, finalmente, ora pro nóbis refogadinha, que experimentei [e gostei] pela primeira vez - embora ainda fique com a couve. Tudo regado a muita soda limonada e guaraná porque a ressaca era braba.

Finalmente, a loucura: encher o pratinho de sobremesa no buffet de doces caseiros e agradecer aos céus. Na saída, antes da tristeza, um cafezinho passado na hora e servido na xícara de ágata. Você ainda pode adoçar seu café com rapadura e sair saltitando.

Esse é o Xapuri. Entre e fique à vontade até fazer todas as suas vontades...

Xapuri - Rua Mandacaru, 260 - Pampulha (BH). Tel: (31) 3496-6198

Depois da comilança vem a andança... Quem estiver sem carro e não quiser perder todas as calorias do almoço tão rápido deve pedir um táxi no próprio Xapuri. O trio foi dar uma volta na lagoa da Pampulha para fazer a digestão. A idéia era nobre, mas tivemos de andar bastante até que um taxista que morava por lá nos pegasse. Sorte dele e nossa.

Panettone pelado

O Natal desperta os melhores sentimentos e paladares. Nesta época do ano, muitas pessoas que comem 'de um tudo' abrem seus corações e revelam que detestam frutas cristalizadas. "Sempre nessa época do ano, eu penso na pessoa q nos salvou: o inventor do chocotone", desabafou o amigo Calenda em seu blog, no Natal de 2004.

A frase me marcou por expressar tão bem a aversão às inocentes frutinhas que fazem parte da tradicional receita natalina. Dizem que tudo começou em Milão, entre os séculos XV e XVII, pelas mãos de um padeiro chamado Toni.

Hoje, o "Pane di Toni" ganhou gotas de chocolate, nozes, mousse, chocolate branco, gotas maiores de chocolate, cobertura de castanhas, versões light (?), somente com uvas passas (Gran Natale ou Uvattone, como diria Cecília), tamanho 'família insaciável' (4 kg!) e muito mais.

Particularmente acho o Toni um cara bem bacana e sempre gostei da receita dele. O querido Maurício, que não come frutas nem por decreto, também adora. É o verdadeiro milagre do Natal.

No último final de semana, o Dexter me apresentou o Pandoro, que apelidei de 'panettone pelado'. Provei a versão da Bauducco (Bold´Oro), com e sem manteiga, e adorei. O bolo coberto com açúcar de confeiteiro tem a massa do panettone, um pouco mais leve, sem qualquer recheio. E nada disso é fruto de estudos de marketing.

O Pandoro também é uma receita tradicional natalina, só que foi criada em Verona, também no Norte da Itália. A idéia pode ter sido de um tal Eliodoro, primo radical do Toni. Vai saber?

A versão ainda tem a vantagem de ser versátil e não enjoar. Imagine um pedaço com geléia de damasco, outro com Nutella (aí está seu chocottone) e outro pelado mesmo. Soube que a tradicional Di Cunto também oferece o Pandoro. Vou correr pra lá!

Felizmente, São Paulo tem ótimos lugares para se comer deliciosos panettones em fatias. Um deles, que já vale pelo passeio, é a Casa Bauducco, na charmosa Rua Normandia, em Moema. Outro pedaço cobiçado é o da Cristallo, que pode ser acompanhado de um bom café.*

Casa Bauducco - Rua Normandia, 51 - Moema (Segunda a sábado das 10h às 19h. Até 24/12).

*Com dicas da Kay, amigona do coração, que ama frutas, ama Maurício, mas só come chocottone. No Natal de 2008 será a vez da pequena Clara - linda recém-nascida desse casal - escolher seu panettone favorito.

O bacalhau da terra da Björk

Em um quarteirão sossegado da Bela Vista está uma grata surpresa: o Paraná Café & Bistrô.

Estava flertando com esse lugar há algum tempo até que surgiu a oportunidade de almoçar por lá no último sábado (18/11). O cardápio do dia descrito em uma lousa na entrada e os preços são realmente convidativos - 15,80 a 18 reais incluindo saladinha e torradas de entrada.

Medalhões de filet mignon, filet de frango ao molho de roquefort, spaghetti com molho de sardinhas [importadas segundo o dono] e grelhados como o bacalhau fresco saithe estavam entre as opções do dia. Espera aí... bacalhau grelhado por 18 reais? Sim, é verdade. Entrei, pedi o meu com arroz e legumes e, sim, é uma delícia. Para meu amado acompanhante, que não come arroz nem legumes, foi preparado um bom spaghetti na manteiga.
 
Depois de resistir à vitrine de doces e tomar um bom expresso com mimos - água com gás, biscoitinho e doces de coco - fomos saber mais sobre o bacalhau, que é servido diariamente.
O simpático Petrônio, que montou o bistrô há cinco anos, explicou que saithe, uma das milhares de variedades do bacalhau "é importado da Islândia, terra da Björk".

Mais acessível do que o bacalhau do Porto, o peixe vem de lá congelado com uma leve camada de sal e não leva mais temperos antes de ser grelhado. O resultado é um filet crocante, saboroso e muito macio. E a conta, para dois, com refrigerantes saiu por menos de 50 reais.

Paraná Café & Bistrô: Rua Barata Ribeiro, 230 - Bela Vista. Tel: (11) 3259-5931. Segunda a sexta das 7h30 às 20h. Sábado das 9h às 17h. Aceita cartões.

Tomates maduros cozidos

Com tantas lanchonetes boas em São Paulo, achei que já havia comido os melhores cheese saladas da cidade. Tudo mudou em uma tarde nublada das férias de agosto, quando os queridos amigos Renata e Henrique, me levaram para almoçar na lanchonete do Seu Oswaldo.

Há tempos eles falavam maravilhas daquela lanchonete na Rua Bom Pastor, que serve o cheese salada com hamburguer leve e bem temperado, queijo, alface e os segredos da casa há 40 anos: maionese caseira e, no lugar do tomate, um molho especial.

"O lugar tem fila. Chegue e já peça logo dois porque eles não são muito grandes", aconselhou outra amiga Renata, a Bitar, moradora do Ipiranga. A fila não cheguei a conhecer [ainda], mas em pleno dia da semana, os 15 lugares no balcão da modesta lanchonete estavam praticamente ocupados.

Pedi os dois cheese saladas, uma Coca-Cola de garrafa e me senti uma menina no balcão de uma lanchonete do interior. Para completar o sabor de infância, eles servem laranjada. Nada de suco com sabor artificial de laranja. É uma boa laranjada mesmo.

Quando o primeiro sanduíche chegou fiquei contente em saber que logo teria outro igual. Na terceira mordida, o molho especial começou a se misturar à maionese caseira e ao hamburguer deixando o mistério daquele cheese salada ainda mais delicioso.

Meu palpite é que o molho é feito com tomates maduros levemente cozidos e batidos com um pouco de alho, cebola e sal. Já o Henrique acha que o segredo pode ser um pouco de pimentão ou até pedaços de goiaba. A solução é voltar e comer mais dois. Não vejo a hora de pegar a fila.

O simpático Oswaldo, descendente de portugueses e italianos, sabe disso. "Oswaldo Hamburgueres... com sabor especial desde 1966", diz seu cartão.

Oswaldo hamburgueres: Rua Bom Pastor, 1659 - Ipiranga. Segunda a sábado das 12h às 22h. Fecha aos domingos e feriados, não tem telefone e não aceita cartões. Não desista.

Cerveja Lemon é soda

Em um misto de curiosidade e altruísmo, o Braun Café resolveu provar a Skol Lemon, nova cerveja draft com sabor limão. A degustação aconteceu na Mercearia do Lili, em Belo Horizonte, onde fazia o calor que jamais chega a São Paulo. Antevendo o resultado, o Dias, dono do excelente boteco, enrolou um pouco para trazer a cerveja e fez algumas ressalvas. Dias e os botequeiros da mesa tinham razão. Cerveja Lemon é soda.

Se você gosta muito de cerveja faça um favor a seu espírito botequeiro e evite versões 'lemon'. Certa vez, em uma viagem de férias, encontrei uma versão da maravilhosa Grolsch com limão, em um mercado de Amsterdã.

Percorri a cidade atrás de um bar que servisse a Grolsch Lemon até que um barman belo e contente encheu metade do copo com Grolsch e completou com soda limonada. Fiz cara de terror, paguei a bebida e tomei o drink conhecido como panachê - é gostosinho, mas não rola. Se você detesta cerveja e não quer tomar soda com seus amigos no boteco, aí sim chame uma Skol Lemon [e não me chame].

Na última semana de viagem, na Holanda, fui à casa do primo Hans e ele trouxe uma Grolsch Lemon geladinha. Hummm... não gostei.

O negócio é fazer como os mexicanos. A moda começou por aqui com uma fatia de limão no gargalo da Sol - cerveja que ganhou em outubro uma versão pilsen muito boa por sinal. Outra opção interessante é o 'cullo de burro' - copinho com limão espremido, sal e pimenta do reino, que você vai bebericando enquanto toma sua cerveja.

Lá no México provei a 'chelada' e a 'michelada' com uma cerveja chamada Victoria. A 'chelada' é servida em um copo com dois dedos de limão espremido, gelo e sal na borda. Caiu maravilhosamente bem com um taco de camarão na Playa del Carmen, um lugar produzido no Photoshop. Já a 'michelada' levava uma tal de 'salsa magui'. Depois entendi que aquela cerveja com limão e cor de Coca-Cola tinha um molho da Maggi mesmo. Só recomendo para quem quiser arriscar na salada.

Ainda não temos a Victoria por aqui, mas já podemos nos alegrar com uma Dos Equis (XX) bem 'chelada' e mais barata. Para felicidade geral da nação, a Dos Equis Special Larger - pilsen leve com personalidade - começou a ser importada em outubro, pela mexicana Femsa, que comprou a Kaiser e também fabrica a Sol. O pessoal de São Paulo e do Rio de Janeiro já pode começar a procurar a XX no mercado e prová-la, com ou sem limão, a preços muy amigos.

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