Cê se serve

No Meaípe, você pode apreciar uma boa moqueca capixaba pagando pouco e sentindo-se em casa. Na chegada, Paulo Cezar Casagrande, dono, garçom, poliglota e entusiasta da cultura capixaba, logo avisa que as bebidas estão na geladeira. Você se serve!

Fui logo dar uma fuçada na geladeira e, embora a cerveja seja a melhor pedida, não resisti à Tubaína Xereta. Sabor de infância.

O menu, assim como o serviço, é bem enxuto: moqueca capixaba com camarão (28 reais por pessoa) ou sem camarão (15 por cabeça).

A receita tradicional do Espírito Santo é bem saborosa e mais leve do que a baiana, já que leva urucum no lugar do dendê. Tomate, cebola, alho, bastante cheiro verde e coentro fresco complementam o sabor do cação anjo e te levam aos céus.

Da cozinha da Fradique Coutinho, em Pinheiros, as panelas de barro saem rapidinho do fogão direto para as mesas com as moquecas borbulhando. Pirão, arroz e farinha acompanham.

Recomendo algumas gotas da pimentinha malagueta da casa para realçar o sabor do prato. Na visita mais recente pedi a moqueca sem camarão e achei que o tempero do peixe estava mais leve do que de costume. Nada que uma pitadinha extra de sal e mais tempo no fogo não resolvam.

O self service também se aplica ao pagamento. Casagrande anota as bebidas, faz a conta no papelzinho e você mesmo passa seu cartão. Os 10% ficam por sua conta.

O Meaípe tem quatro endereços na cidade, com dias e horários de funcionamento diferentes. Para quem quiser sentir-se em casa de fato, o site ainda revela a receita da moqueca.

Meaípe
- Rua Fradique Coutinho, 276 - Pinheiros (Terça a Domingo). Tel: (11) 3088-9103
- Rua Cristiano Viana, 506 - Pinheiros (Segunda a Sábado). Tel: (11) 3081-5945
- Alameda Itú, 09, esquina com a Al. Campinas (Domingo a Sexta-Feira). Tel: (11) 3283-5762
- Rua Caramuru, 768 - Metrô Praça da Árvore. Tel: (11) 2275-2884

Momo, o rei do Miojo

(Fofo: Japan Times / Kyodo Photo)

Até ontem, acredito que pouca gente sabia quem foi Momofuku Ando. Eu também não. Ele se foi, aos 96 anos, deixando um legado que muitos conhecem: o macarrão instantâneo, nosso querido Miojo.

A história do 'instant ramen', que aqui virou 'lámen', começa logo após a segunda guerra mundial, conta uma reportagem do Japan Times.

Ao ver as imensas filas de pessoas famintas a espera do escasso 'ramen' fresco, feito na hora, Ando resolveu correr atrás de um ideal. Para ele, a paz chegaria ao mundo quando as pessoas tivessem o que comer. E ainda por cima em três minutos!

Em 1948, ele criou a Nissin Food Products e inventou o primeiro 'macarrão instantâneo sabor galinha' em 1958. A trajetória do macarrão virou tema de museu no Japão, o Momofuku Ando Instant Ramen Museum.

Quase 50 anos depois, o Miojo, com seus mais diversos sabores genuinamente artificiais - da galinha caipira ao camarão, da picanha ao caldo de feijão - ainda é uma causa nobre.

Com a dica do Mário Nagano, achei uma associação da indústria do lamen, a International Ramen Manufacturers Association (IRMA). Além de incentivar o consumo de bilhões de lamens no mundo todo, a IRMA envia remessas de Miojo a refugiados de guerra, comunidades carentes e vítimas de desastres naturais. Isso incluiu vítimas do Tsunami, do furacão Katrina e do terremoto no Paquistão.

O Miojo também salvou a vida de muitos estudantes, solteiros e baladeiros em geral. Juntando a fome [a preguiça e a falta de grana] com a vontade de comer, o Brasil é o décimo maior consumidor de Miojo do mundo.

Segundo a IRMA, em 2005, comemos mais de 1,2 bilhão de pacotes de lamen. Em primeiro lugar, é claro, estão os chineses. Eles são muitos e o macarrão é deles... de muitos deles. Consumiram mais de 44 bilhões de Miojos em 2005.

E logo depois do Brasil vem o México, onde o Miojo chegou a ser item da cesta básica. O lamen até que foi bem adaptado à culinária local. Os muchachos comem o macarrão com aquela salsa tradicional de tomate, cebola e coentro por cima. Ai ai ai!

Desde criança, adoro Miojo. Quando minha avó, cozinheira de mão cheia, vinha me visitar, a primeira coisa que eu pedia era um Miojo - a segunda era sopa de feijão e a terceira era bolinho de chuva.

Hoje, não faço isso. Hoje também não como mais Miojo com caldo e de colher. E, obviamente, aproveito melhor os dotes culinários da Vó Eline.

Aqui em casa sempre tem um Miojo no armário... para emergências. Depois de prepará-lo das mais diversas formas, muitas delas bem equivocadas e rapidamente ingeridas, gosto mesmo é do tradicional: tirar o caldo quando estiver al dente e boa. Outra opção é colocar um pouquinho de manteiga e cebolinha fresca. Delícia.

Outro dia, prepararam para mim o lamen al dente, no azeite, com alho, cebola, fatias de linguiça e cebolinha. Estava ótimo. Momofuku ficaria orgulhoso. "Jamais menospreze o potencial do Miojo", diria o rei do lamen.

O site da Nissin no Brasil dá algumas idéias para incrementar o Miojo como o "Nissin Lámen Basílico". Não deixe de ver as receitas enviadas pelos usuários. Nomes como "Miojo do Amor", "Macarrãozinho Alucinante" e "Nissin do Fundo do Quintal" já valem a visita. Tem também a "Lasanha de Miojo". Vai encarar?

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