Íris coffee

Mesmo após caminhar sob um sol escaldante não resisti a um café com as amigas no último sábado. Paramos no Florinda, um lugar muito charmoso aberto há pouco tempo, na esquina da Aspicuelta com a Harmonia. Já ia pedir uma água bem gelada para não derreter com o expresso, quando li a palavra 'gelado' no cardápio. "Café gelado? Vamos nessa!"

A bebida, que está na foto acima, vem batida com um pouco de leite condensado para rebater o amargor. Na verdade a receita precisa de muuuito Leite Moça, mas nada que dois saquinhos de açúcar a mais não resolvam. Relaxe e peça logo um brigadeiro ou um bolo de pêra para acompanhar.

Já tinha provado o café gelado do Starbucks. Não sei se entrou no cardápio da filial paulistana, mas ele vem com creme bem geladinho em uma latinha pequena. O primeiro gole é estranho. "Pô! Café gelado???", você pensa. Depois fica uma delícia.

Não se assuste. Um café 'gelado' é um drink. Um café 'frio', como diz a Cecília, "vai te dar pneumonia! Deixa que eu faço outro."

Essa história me lembra da Cecília contando que foi vítima de um infeliz trocadilho por conta do atendimento primoroso do Fran´s Café. Pediu um Irish Coffee (café com creme de leite, uísque e açúcar) e trouxeram café com sorvete de creme.

- "Mas não foi esse que eu pedi", reclamou.
- "Foi sim... foi o Iced Coffee", teimou o garçom.
- "Não foi não. Eu pedi esse aqui", insistiu irritada apontando para o cardápio.
- "Aaaah... mas esse é o Íris Coffee senhora", disse o garçom, que teve de trocar a bebida... "Essa gente não sabe pedir! Olha aí... vou ter de trocar", deve ter dito ao pessoal da cozinha. "Manda um Íris aí."

Aliás, o 'ice' do coffee foi inventado pelos austríacos. Descobri agora na página de curiosidades da Companhia Cacique de Café Solúvel. Café solúvel é algo das trevas. Não há solução, exceto no leite quente, admito. Mas o site tem informações bem interessantes.

Soube que os etíopes tomam café com sal, que os marroquinos preferem uma pitada de pimenta e que os japoneses já tomam mais café gelado do que quente (não deixe que os garçons do Fran´s saibam disso).

Mário Nagano, que está virando consultor de curiosidades gastronômicas japonesas, me deu uma latinha de café parecida com a do Starbucks. A latinha toda preta tem a mensagem "100% black". Ele acha que devo esquentar em banho Maria, mas agora com a dica do Cacique vou tomar gelado... e ficar três noites sem dormir, provavelmente.

O site também mostra como se diz 'café' em diversos idiomas. Gafae, kafes, masbout, kalawa, koohi, souro, kaffei, buna, koffie estão entre eles. Gostei. Kaveeee!!!

Florinda - Rua Aspicuelta, 181 - Vila Madalena. Tel: (11) 3814-1060

Salve uma quitanda

É possível ser feliz sendo vegetariano? Acredito que sim, mas o grau de iluminação para resistir a um suculento filé não depende somente de conscientização, de não ser chegado a derivados de animais ou de força de vontade.

Um bom tempero e muita criatividade são os ingredientes básicos para quem deseja sorrir diante de um prato sem carne. Também são pontos fundamentais para os vegetarianos de ocasião, como é meu caso.

Strogonoff de shimeji, torta de acelga, abobrinha recheada com queijo e palmito, saladas frescas e mais uma série de variedades fazem você esquecer os prazeres ou pecados da carne, no buffet do Lá na Quitanda.

Passando a quitanda na entrada, que também vende pães caseiros bem bonitos, você entra em um salão muito sossegado e rústico, do tipo que não tem uma cadeira e uma mesa 'ornando'. O tempero é muito bom - até encarei a carne de soja refogada - e o preço é ótimo.

Por 14 reais, além do buffet, você tem direito a sucos - o de clorofila só recomendo aos sofredores - e sobremesas à vontade. Até nos doces o lugar oferece uma opção ao clássico 'salada de frutas, iogurte e granola'. Se tiver canjica e doce de leite não pense duas vezes. Você vai ter de pensar muito depois... para não comer duas vezes.

Em uma noite fria recomendo o buffet de sopas. Eles também servem sushi vegetariano no jantar, mas esse ponto de iluminação ainda não vivenciei.

Aliás, adoro as quintandas. Esses pequenos e acolhedores símbolos dos hortifrutis com seus belos legumes e frutas, às vezes bagunçados com certo charme, vêm alimentando a cultura vegetal há anos. Uma pena terem entrado em extinção, esmagadas pelos sacolões e hipermercados.

A quitanda da portuguesa aqui perto de casa, na Pedro Taques, por exemplo, é uma feliz conveniência. Um belo domingo corri pra lá, antes de começar o almoço. Comprei um raminho de manjericão fresquinho por 50 centavos. É bem caro, mas era tudo o que eu precisava naquele momento... por um molho melhor.

Acho que temos de colaborar com a sobreviência das quitandas. "Pense no seu molho e salve uma quitanda... não é todo dia que se compra um ramo de tomilho fresco no supermercado 24 horas."

Lá na Quitanda - Rua Rodésia, 128 , Vila Madalena. Tel: (11) 3097-0410

A cidade sem botecos

Águas de Lindóia, uma das 11 estâncias hidrominerais do Estado de São Paulo, não tem esse nome à toa. Na cidade, que está a um pulinho de Minas Gerais, não há um boteco sequer.

Os amigos Alê e Clau, que adoram botecos, descobriram a curiosa ausência de bares na cidade quando estiveram por lá para um merecido descanso no final do ano.

No primeiro dia pediram a indicação de um barzinho e acabaram caindo em um sambão. No segundo foram comer uma pizza e tomar uma cerveja. No terceiro dia queriam ir a um bar de qualquer jeito. Viraram a cidade do avesso e nada. O mais próximo que encontraram de um lugar para tomar uma cerveja em uma mesinha na calçada foi a sorveteria do centro, que servia apenas sorvetes, café e cerveja.

Original, Bohemia, Serramalte, uma mesinha na sorveteria e... que tal uma porção? "Eles vendiam cerveja, mas não tinham nenhum petisco, tanto que o cara conseguiu improvisar uma porção de salame na cozinha do hotel ao lado, por 8 reais. Em compensação, foi a Original mais barata que tomei: 3 reais", conta o Alê.

Depois dessa, Alê e Clau pediram água. Voltaram ao hotel e se contentaram com o barzinho de lá, relaxando à beira da piscina.

Dizem que as águas de Lindóia são curativas. Não tenho dúvidas. Mas acho que uma cervejinha no boteco da cidade, um único botequinho que seja, no calor de dezembro, tem propriedades medicinais incalculáveis. Conclusão: abra um bar em Águas de Lindóia e você vai nadar na grana. 

Felizmente, quando voltaram a São Paulo, Alê e Clau encontraram um oásis botequeiro na Vila Olímpia, o Bar do Arnesto. Eles recomendam Original gelada e a porção de carne seca acebolada com mandioquinha. Ótima notícia em um bairro onde são raríssimos os botecos que sirvam geladas de 600 ml e porções bem preparadas sem a intragável badalação local. Pois o Bar do Arnesto nos convidou.

Bar do Arnesto - Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 207 - Vila Olímpia. Tel: (11) 3848-9432

À mestre-cuca com carinho

A grande amiga, Karina, e eu temos muito em comum. Além de falarmos pelos cotovelos, amamos trocar dicas gastronômicas e cozinhar... sempre falando pelos cotovelos. Uma diversão.

Na linda foto retratada por Maurício - felizardo alvo das experiências culinárias de sua esposa - observo atentamente os detalhes explicados pela Kay sobre o preparo de dois molhos praticamente infalíveis.

Na mesa, ao lado do delicioso 'uvattone' (Gran Natale) que comemos, nos debruçamos sobre os livros "Cozinhando para Amigos", de Heloisa Bacellar, e "Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica", de Marcella Hazan. Deste último livro devorado pela Kay, saíram as receitas da conversa.

Quando recebi a foto, logo pensei que esses papos não podiam passar em branco (e preto). Devo confessar que a Kay me incentivou a tomar gosto pela cozinha, além do que eu já tinha pelas cozinhas de restaurantes e botecos.

Entre outras deliciosas receitas, essa cozinheira de mão cheia me ensinou a fazer o primeiro risotto (de funghi) com arroz italiano. Me lembro que anotei tudo... tintin por tintin. Aprendi a fazer risottos, ensinei minha mãe, outra fonte de clássicos conselhos culinários, e a Ana Luiza, que também se empolgou na cozinha, para felicidade do Calenda.

Minha receita favorita é o atum em crosta de gergelim. Preparei outro dia com farfalle al limone e foi muito bem recebido. Compartilho aqui algumas dicas vindas da Fantástica Cozinha da Kay.

Valeu amiga!

Peixaria Pacífico - Rua Fernando de Albuquerque, 288 - Consolação (SP). Tel: (11) 3237-0740. (Seg a sexta: 7h às 16h. Sábado: 7h às 13h)

O Elo perdido

O esquema de rodízio é tão comum nos restaurantes japoneses de São Paulo, que muita gente se perde diante de um cardápio à la carte.

"No rodízio você não tem que pensar muito. As comidas vão chegando", disse Giedre ao se deparar com um universo de escolhas disponíveis no Tanuki - um animal 'primo' do guaxinim em japonês - na Vila Madalena.

Giedre tem razão. Suas únicas decisões em um rodízdio são o sabor do temaki, se o guioza pode ser levemente grelhado invés de frito e o que será eliminado - pobres yakissobas.

É claro que há exceções que confirmam a regra, como o Haru, restaurante dos ex-donos do Sushi Ghen aberto há cinco meses, no Itaim. Lá, a escolha do rodízio é praticamente personalizada. Fiquei assustada com o poder de decisão dado ao cliente. Só não escolhi a faca e o sushimen, mas valeu o trabalho. O preço é convidativo (24,90 reais de segunda a quinta incluindo sobremesa) e o resultado satisfatório.

No cardápio à la carte do Tanuki, opções é que não faltam, então relaxe. Recomendo as mesas do andar superior, onde você tira os sapatos, pode fumar e perambular usando chinelos japoneses. Eles têm pontinhos de 'do-in' que massageiam seus pés, enquanto você começa a pensar no pedido.

Degustamos a cortesia da casa, uma deliciosa espécie de ceviche japonês (peixe branco marinado com pepinos). Estava ótimo. Eu já queria umas dez cortesias daquelas. Depois pedimos um [bem preparado] shimeji na manteiga com cebolinha na chapa, seguido de sashimis de salmão e peixe prego - bem saborosos e frescos.

Finalmente resolvi encarar o "Elo Perdido" e pedir alguma coisa bacana, que não fizesse parte do vocabulário do rodízio. Felizmente, o Tanuki oferece pratos do dia e um deles tinha tradução: "Canja de frutos do mar". Canja sem galinha? Canja no japonês? Eu não tinha como resistir.

Acho que apelidaram o prato de 'canja' pela presença de arroz no caldo, que leva açafrão, cebola e pimentão picadinhos, camarões, polvo, lula e kani. Uma delícia suficiente para esquentar os ânimos de dois estômagos famintos por 18 reais. A conta toda, incluindo duas cervejas de 600 ml, refris e mais um temaki saiu 30 reais para cada, em três pessoas. Um preço justo.

Após um dia inteiro de trabalho duro, quem não quer pensar mesmo é a equipe do Tanuki. Na última terça (16/01), enquanto esperavam Alê e Deca terminarem a saideira, shushiman, entregadores e cozinheiros não pensaram duas vezes e chamaram uma pizza.

Tanuki - Rua Jéricó, 287 - Vila Madalena. Tel: (11) 3814-3760

Sushi Haru - Rua Manoel Guedes, 233 - Itaim Bibi. Tel: (11) 3477-7247

Trocadilho feliz ou Filial do Genésio

Recentemente a Vila Madalena ganhou mais um gostoso boteco e um trocadilho que foi bem feliz. A fusão de ambientes e cardápios dos bem-sucedidos Filial e Genésio, deu origem ao Genial.

Tirando a iluminação aconchegante e uma parte externa mais ampla, o ambiente do Genial mantém a mesma levada dos primos da Fidalga. O chope Brahma de colarinho alto é igualmente bem tirado e o cardápio amplo é uma espécie de cover variado dos menus dos vizinhos.

Recomendo a 'polentinha de colher', receita vinda do Genésio. A cumbuquinha com polenta mole, tomates, manjericão e azeitonas pretas vem na medida certa para deixar seu estômago feliz. Outra boa pedida é o sanduba de filé à milanesa com queijo no pão francês - "Na França" para os chapeiros.

Já a cumbuca de bacalhau gratinado com parmesão deixou a água na boca a desejar. Faltou a informação de que a leve receita - mais para 'batatau' - levava cenouras raladas.

O famoso caldo de feijão preto com torresmos, servido madrugada a dentro pelo Filial, também está no cardápio. Pena que a versão de feijão branco, prata da outra casa, não tenha entrado.

Fiquei pensando na reunião para definir o nome do novo bar. "Filial... Genésio... hummm... vamos ver [pegam caneta, a bolacha do chope e começam a cruzar as palavras]. Gelial?!... não... Filésio?! - ótima sacada do Miguel Icassatti, no Estadão. [Mais um gole de chope] Ge... né... Ge... ni... GENIAL!". Idéia de gênio.

Como o repertório é vasto e o lugar bastante agradável, devo dizer que novo Filial do Genésio merece bis. Só tenho receio se aplicarem a fórmula do nome ao próximo boteco. Gelesial? Geliálsio! Finésial? Não... melhor não.

Genial: Rua Girassol, 374. Tel: (11) 3812-7442
Filial: Rua Fidalga, 254. Tel: (11) 3813-9226
Genésio: Rua Fidalga, 259-A. Tel: (11) 3812-6252

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