Fast food à francesa

Por Alê Scaglia, de Paris*

Viajar para fora do País é, além de um exercício gastronômico, fonte de uma verdadeira ginástica financeira. Para cada refeição mais ajeitada, é bom ser contido e trocar um almoço por um sanduíche; para cada garrafa de vinho, um suquinho comprado no supermercado é necessário. Pelo menos comigo é assim...

Enfim, em um recente périplo por terras estrangeiras fiz as minhas ginásticas. Em Paris, por exemplo, encarei um gyro pita, o bem conhecido de todos nós (pelo menos já visto, vai) churrasquinho grego. E devo confessar que não me arrependi! Por 5,60 euros comi um sanduba bacana, com fritas e acompanhado de uma cerveja chamada, vejam vocês, Zorbas!

O gyro, pelo menos na França, é feito com carne de frango e de porco e servido com um molho à base de maionese, alface picado, tomate e batatas-fritas. Tudo dentro do mesmo pão. É quase uma maratona da gula. O pão você pode escolher: baguete, pão sírio (pyta) e uma terceira opção que não identifiquei direito.

Onde encontrar? Em praticamente cada esquina tem um. Divirta-se.

P.S.1: A fome era tanta que eu preciso confessar que não deu tempo de fazer foto. Desculpa aê, galera! Mas como existe o Google, essas fotos foram tiradas do site Parisit para pelo menos ilustrar o post.

P.S.2: No Brasil, já tive o desprazer de encarar um churrasquinho grego, pelo amor à profissão, é bom que se diga. Na época da faculdade estava de câmera em uma videoreportagem que mostrava os bastidores de um vendedor da “iguaria” no Largo do Batata. O ambiente de produção até era limpo, mas as carnes utilizadas não eram nada apetitosas – só cortes cheios de sebo, uma coisa horrível. Parece, no entanto, que nos Jardins há um boteco que vem fazendo churrasquinho grego com qualidade. Prometo me informar, provar e contar!

*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do BraunCafé. Se empolgou na Europa e voltou cheio de dicas da viagem ao estrangeiro. Manda bala Alê!

Pepe legal

(Dona Pilar no salão da casa. Foto do site www.paellaspepe.com.br)

Imagino que os toats internacionais do Alê tenham deixado muita gente com vontade de comer paella. Como a Espanha é um pouco... digamos assim... fora de mão, recomendo o Paellas Pepe, no Ipiranga, em São Paulo.

A paella preparada nos finais de semana pelo chef Mario, filho da dona Pilar, é servida à vontade (30 reais por pessoa) na casa da família.

É preciso fazer reserva com pelo menos um dia de antecedência por telefone ou até sexta-feira no site. Depois é só chegar e se esbaldar com a receita que leva lagostin, mariscos, vôngoli, camarões, frango e legumes. Para beber, recomendo uma gelada de 600 ml ou a sangria de vinho branco.

Enquanto espera o sino tocar - é o aviso de que chegou hora de entrar na fila para fazer seu pratão - peça 'Las Tapas' - tortilla, lula in su tinta, marisco temperado, vinagrete de frutos do mar, um tipo de frio espanhol e cesta de pães (15 reais para até quatro pessoas).

Para quem prefere variar ou então não gosta de paella (¿Cómo?), a casa oferece opções individuais que podem ser pedidas na hora da reserva. Lulas recheadas e até filé com fritas estão no cardápio.

Me lembro da primeira vez que fui desvendar o Paellas Pepe há uns quatro ou cinco anos. O sobrado não tinha placa. Entrei de fininho, meio tímida pelo extenso quintal lateral como se estivesse chegando no almoço de domingo de parentes desconhecidos. Logo a simpática Pilar veio indicar uma das poucas mesas e, em pouco tempo, me senti em casa.

Com o sangue dos conquistadores nas veias, a família Pepe fez o negócio prosperar. O restaurante, que começou modestamente oferecendo shows de música e dança flamenca nas noites de sábado, ganhou placa, manobrista na porta, ampliou o número de mesas e deu um belo upgrade no site. Delivery, eventos e cursos de paella também estão no cardápio.

O curso, para turmas de até seis pessoas, perece bem interessnate. Por 300 reais você faz a aula, almoça e ganha um kit, incluindo um fogareiro que se adapta ao fogão para fazer a paella em casa. Se preferir apenas fazer a aula e almoçar o pacote sai por 100 reais.

O preço aumentou um pouco nestes anos, mas a excelente comida e o esquema 'lá em casa' valem os 40 e poucos pilas que você vai pagar para a dona Pilar.

O Pepe ainda oferece um agrado no jantar da sexta-feira. Basta acessar a Promoção no site e levar o cupom impresso. A mesa ganha uma sangria ou uma porção de presunto (jamon) serrano. ¡Oba! Que tal?

Paellas Pepe - Rua Bom Pastor, 1660 - Ipiranga. Tel: (11) 6163-9570

Paella contemporânea

Por Alê Scaglia, de Barcelona*

Talvez o prato mais conhecido da Espanha, a paella encontra em Barcelona um espaço de destaque. Principalmente porque aqui os frutos do mar são abundantes e absurdamente frescos (sim, você lá leu isso em outro toast!). Foi com isso em mente que aceitei de bom grado a sugestão dos grandes amigos Deia e Jorge, moradores da cidade, para um passeio no sábado chuvoso ao Passeig de Gràcia, onde ficam as casas Milà e Batlló.

A idéia era caminhar pela avenida (a Deia sempre diz que essa é a preferida dela, a mais charmosa e chique da cidade), passar pelas obras de Gaudi e fechar a tarde com uma boa paella. A escolha na hora da finalização foi pelo Tapelia, um restaurante que surpreende pelo bom gosto da decoração, pelo atendimento super atencioso e pelos preços justos. A comida? Ótima é a melhor definição.

Comemos duas paellas, uma negra com lulas e outra tradicional, com camarões e vegetais. Ambas estavam ótimas, mas a com tinta de lula, na minha opinião, estava imbatível: o arroz no ponto, o tempero acertado e o alioli (uma espécie de maionese com alho, misturada na paella) justo, para melhorar o que já era bom! Tomamos também uma sangria (com uma dose um pouco exagerada de vermute), que cumpriu seu papel de se equilibrar com a refeição.

Os detalhes são uma coisa à parte: pães de entrada quentinhos, um azeite extra-virgem delicioso para acompanhar, as paellas servidas em panelas com porções para duas pessoas diretamente na mesa... Tudo isso em um ambiente aconchegante, daqueles que não dá vontade de ir embora.

Para finalizar, a conta: com 20 euros por pessoa é possível fazer uma refeição deliciosa - e bebendo vinho! Eu simplesmente amo essa cidade!

Tapelia - Passei de Grácia, 15 - Barcelona. Tel: 933 428 188

*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do BraunCafé. Teve a sorte de visitar Barcelona no último final de semana, se empolgou e mandou dois toasts de lá. Gracias Alejandre por salvar este blog da ressaca de Carnaval e inaugurar a ala dos correspondentes.

(Technorati)

BraunCafé Internacional apresenta:

Contando os palitos

Por Alê Scaglia, de Barcelona*

Uma das cidades mais lindas da Europa é também uma das melhores fontes de boa comida e muita diversão. Capital da Catalunha, Barcelona é conhecida pelas ramblas e pelo frescor absurdo de seus frutos do mar. Mas merecia também um destaque por seus "botecos"... Não, não é para pensar em boteco como o Bar Leo ou o Frangó. O conceito aqui é bem diferente. Os bares de tapas são uma atração à parte na cidade onde Gaudi fez sua história.

Para conhecer o que a cidade tem de melhor nesse quesito, recomendo uma visita ao Bairro Gótico, o mais antigo da cidade. Em meio a ruelas estreitas, casas e prédios (quatro)centenários e MUITA gente bonita, é fácil encontrar onde sentar para tomar uma cerveja ou cava. Mas é em pé que se encontra uma das pérolas da região.

Em uma das muitas vielinhas fica o Sagardi, um bar cuja especialidade são os "montaditos", comidinha de boteco típica do país Basco. O sistema é simples e não tem a menor chance de dar certo no Brasil: você entra, encosta no balcão (se der sorte), pede um prato e sai escolhendo o que comer, diretamente de travessas com uma espécie típica de canapés, feitos de fatias de baguetes com recheios os mais variados. Há os de patê de atum, com alface, queijo de cabra e uma fatia de aliche (recomendo!) ou com um chorizo apenas. Todos, sem exceção, sensacionais. Na hora de ir embora, o garçom conta os palitos de seu prato e você paga. Tudo na base da confiança.

Na visita feita ao bar, em quatro amigos consumimos nada menos que 20 e poucos "montaditos", além de algumas "cañas" e cidras. A conta deu 60 euros, nada excepcional para o lugar. E menos ainda relevante quando se leva em conta a diversão de escolher uma a uma as porções a serem provadas.

Para completar, o Sagardi tem um ambiente delicioso, com um balcão interminável como marca mais característica. Gente bonita, boa comida e uma cerveja deliciosa definem o local. Se você tiver a sorte de ir a Barcelona, não perca a oportunidade de visitar o boteco.

Sagardi - Argentería, 62_08003. Tel: 93.319-99-93

*Alexandre Scaglia é jornalista e grande companheiro nas descobertas do BraunCafé. Teve a sorte de visitar Barcelona no último final de semana, se empolgou e mandou dois toasts de lá. Gracias Alejandre por salvar este blog da ressaca de Carnaval e inaugurar a ala dos correspondentes.

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