O melhor pão com bife ever!

Por Rê Mesquita*

(Visite nosso novo estabelecimento: www.brauncafe.com.br)

Pão com bife é mais que um lanche improvisado com as sobras de alguma outra farta refeição: trata-se de uma verdadeira instituição alimentar, mundialmente conhecida e reconhecida.

Aqui em São Paulo, você vai encontrá-lo em qualquer padaria que se dê o respeito como o famoso 'churrasquinho no frança', com ou sem queijo e com ou sem vinagrete - uma versão sensacional pode ser degustada no Fazenda, na Tamoios, voltando do Litoral Norte, com direito a fumaça no cabelo.

Em Portugal, é o prego no pão (comi um excelente em Belém, próximo ao Mosteiro dos Jerônimos). Nos Estados Unidos, é o não tão popular assim Bread and Beef, geralmente cheio de outras coisas como picles, mostarda, tomate, fatias de bacon etc.

Em quase qualquer lugar do planeta você pode comer pão com bife, qualquer que seja o nome com o qual é batizado (é óbvio que na Índia, por exemplo, não vai rolar). Em casa, você pode ainda fazer uma suculenta versão a cavalo, ou seja, com um ovo frito bem molinho em cima, para escorrer a gema entre os dedos. Mas tem um pão com bife que é inesquecível: o do Almeida, em Santos.

Essa casa quase octagenária (foi inaugurada em 1932) fica na beiradinha do centro santista e serve uma boa variedade de pratos que, imagino, devem ser todos saborosos. Mas meu pai, que ia lá na adolescência, me recomendou a pedir a iguaria (R$ 15), falando que era o melhor do mundo. O resultado? Toda vez que eu volto não consigo pedir outra coisa!

Tem que ser um pão com bife (um pedaço generoso de filé mignon com o miolo bem rosadinho, daqueles que soltam caldo a cada mordida), algumas boas fatias de queijo prato e um pão francês sempre, sempre, fresquinho e crocante. Não há nenhum segredo aparente, mas inexplicavelmente é de lamber os dedos! Se você for, peça com uma porção de fritas portuguesas (R$ 10) para acompanhar: é o par perfeito.

*Rê Mesquita é jornalista, adora cometer deliciosos pecados da gula e contar tudo por aqui. Foi para Portugal e não perdeu o lugar no Braun Café.

Restaurante Almeida - Av. Ana Costa, 1 - Vila Mathias - Santos - SP - tel.: (13) 3232-7508.

Portobello... be happy

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A feira de antiguidades da Portobello Road, em Londres, é um passeio delicioso. Bem lembrou a Kaks Garcia, que morou por lá e fez questão de indicar a rua comprida cheia de turistas e locais aos sábados.

Entre milhares de lojinhas, brechós e barracas de antiguidades, a vitrine de um restaurante exibia suas especialidades e o cardápio dentro de um Fiat 500 (o ‘cinquecento’ antigão) cor de laranja - uma prova de que os italianos realmente são apaixonados por carros e comida.

Descendo a rua, enquanto experimentávamos um chapéu aqui, um óculos acolá e procurávamos manter Valim longe dos discos, começaram a aparecer as barracas de feira tradicionais. Claro que, em Londres, a feira também é bagunçada, porém ‘polite’. “Beautiful girl doesn´t pay… but does not take!” não rola.

Depois de comer muitos sandubas, na loucura da cidade, é reconfortante ver de perto lindos (e caros) legumes, frutas, verduras, secos e molhados. A vontade é encher a sacola e levar tudo para a casa de alguém que tenha o fogão mais próximo.

No espírito ‘Jamie Oliver’, compramos uma caixinha de framboesas frescas (bem azedinhas). E se o hortifrutis já abrem o apetite espere até chegar às barracas de comidas.

Gigantescas paelleras borbulhantes exalando o perfume de Madri deram saudades e muita água na boca. A fome aumentou diante de tinas de robustas azeitonas pretas temperadinhas, queijos variados, azeites para degustação, crepes, sanduíches de falafel… chuva, Londres, e vamos no falafel mesmo.

Embaixo da garoa chata, a barraquinha apertada do “Happy Vegetarian” nos salvou. O dono, Sr. Mustafa, é fã de brasileiros. Divide seu anúncio “Vegetarian! Eat Well! Live Well!” de um lado do flyer com o curso “Abada Capoeira - Afro-Brazilian Martial Art, Music and Dance - Mestre Camisa”, do outro.

Pela fartura, até que o falafel era barato (2,50 libras se não me engano). Enrolado no pão sírio quentinho o wrap acomodava, além dos bolinhos de favas, cebola roxa, homus, iogurte, salada, cebolinha, hortelã e não sei mais o quê, mas estava gostoso.

A simpatia do dono e o sabor ‘bem picante’ do falafel - não adiantou pedir sem pimenta - ajudaram a detonar a soda do Alê e minha frescura com a chuva. Don´t worry… be happy em Portobello.

Happy Vegetarian - Unit 104, Portobello Market - Londres.

A camiseta do doutor

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Na terra onde nasceu o futebol, os ingleses também se divertem jogando pebolim no Bar Kick, no bairro cool de Shoreditch. O cardápio em um caderninho escolar quadriculado exibe cervejas long neck de vários países (2,70 libras cada, em média). Tem até mesa em formato de carteira para você se acomodar.

Da espanhola San Miguel à nossa Brahma é só escolher a sua e se meter no pebolim com um grupo de locais, como fez o Alê, ou então ficar jogando conversa fora, ouvir uma música pop e assistir uma partida na TV. Regrinhas de futebol, em português, espalhadas pelos cantos dão um charme ao ambiente de dois andares, que lembra um pouco o extinto Borracharia, na Vila Madalena.

No Kick, os ídolos não estão pendurados nas paredes, mas carregados no peito. Lá estava eu batendo papo com o querido Fábio Almeida, que me apresentou o bar, quando vejo um dos habitués usando a camiseta mais legal que vi nessa viagem. A estampa do doutor, cabeludo e barbudo no ‘visu’ da década de 80, e apenas o nome embaixo: Sócrates.

E o cara não era brasileiro!!! Vibrei. No dia seguinte, enquanto eu descrevia a maravilhosa camiseta do Sócrates ao Alê e ao Valim, subindo a escada rolante do metrô e achando que eles nunca iam encontrar nada parecido, desce um cara (outro cara) com a mesma estampa no peito. Alguns ídolos nunca saem de moda.

Bar Kick - 126-127 Shoreditch High Street, Shoreditch - Londres.

Cerveja turca

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Em uma travessa da Oxford Street, badalada rua das compras de Londres, você encontra uma série de bares e restaurantes charmosos com mesinhas na calçada. O clima é bem europeu e os preços também.

Felizmente, eu e Almeida encontramos o “Grand Bazaar Cafe Bistro”, que oferece porções acessíveis. O homus com uma cesta de pãezinhos quentes e macios (4 libras) caiu muito bem acompanhado da cerveja turca Efes (2,70 libras a long neck).

Gostei da pilsen turca - leve e saborosa. Considerando que a Turquia não tem tradição na área, até rola uma nota A para a Efes, que desceu macia assim como a conta do bar. E o clima das mil e uma noites, garantido por luminárias orientais espalhadas pelo teto, reanimou.

Esse café turco é uma boa dica de happy hour depois da função turística. Só espero que você tenha a sorte de não encontrar mil e uma mulheres enlouquecidas em uma despedida de solteira na mesa ao lado.

Grand Bazaar - 42 James Street - Londres.

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