Pra lá de 'olde'



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Pelos lados da City, em Londres, é comum encontrar advogados usando aquelas perucas brancas de época. Bem que procuramos, mas não vimos nenhuma figura dessas nas ruas. Encontramos, no entanto, um dos pubs mais antigos da cidade: o Ye Olde Cheshire Cheese.

"Olde" é pouco para descrever a idade do lugar. O estabelecimento reconstruído em 1667, após o grande incêncio de Londres, fica em uma rua de paralelepípedos bastante estreita e pouco iluminada... cenário de suspense.

O pequeno salão de entrada, decorado em madeira escura, com quadros muito antigos nas paredes, deixa o ar ainda mais misterioso. Na mesa ao lado, altos executivos bebiam seus pints na hora do almoço - sem peruca.

Como diria Jack, o estripador, que também deve ter tomado umas por lá, vá por partes. Peça sua cerveja, que ainda por cima tem um preço abaixo da média (2,50 o pint se não me engano), dê um tempo em uma das mesas e depois faça um tour pelas intermináveis salas do pub.

Ye Olde Cheshire Cheese - 145 Fleet Street, City - Londres.

Tea... lot´s of tea

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City é o nome dado à parte mais antiga de Londres. Nesta região está localizada a Temple Church, uma igreja simples e bastante peculiar. Para visitá-la não é preciso pagar dez pounds de entrada, o que é comum na maioria das catedrais de Londres. Tivemos a felicidade de participar de uma missa celebrada por um coral espetacular e depois vimos de perto as efígies de quatro cavaleiros templários - bem Dan Brown mesmo.

Pertinho da Temple está a antiga loja da Twinings, cujas paredes certamente não têm ouvidos ou ficariam loucas. Em seu livro "História do mundo em seis copos", Tom Sandage conta que, em 1717, Thomas Twining, dono de um café em Londres, abriu uma loja de chás ao lado, só para as mulheres. Foi a alegria das inglesas, que saíam para comprar seus chás ou tomá-los no salão enquanto falavam da vida alheia... daaarling.

Hoje, essa mesma loja, muito tranquila e belíssima, exibe prateleiras repletas das mais variadas infusões. E os preços são ótimos. Por uma média de 1,50 a 2 libras você compra, por exemplo, uma caixa com 20 saquinhos de chá de camomila com folhas de limão (delicioso) ou de chá preto com laranja e canela. Dá para fazer a festa e trazer chás... muitos chás de presente.

A loja também vende xícaras de porcelana para seu chá. Como colecionadora de canecas e xícaras não pude resistir a levar uma (3,99 libras). Ela está aqui, lovely, ao lado do micro, me ajudando a trazer as boas lembranças de lá.

Twinings - 216 The Strand, City, Londres.

Lá vem o pato

A pequena Chinatown de Londres é praticamente uma praça de alimentação monotemática. A quantidade de restaurantes chineses por metro quadrado é impressionante. E, devo dizer que, apesar da fome e graças ao Valim, não pagamos o mico de comer algo parecido com fast food nos kilos de preço único. Pagamos o pato mesmo.

Valim arregalou os olhos diante dos patos assados pendurados na vitrine de um dos restaurantes. E lá fomos nós atrás do melhor e mais barato menu de Chinatown. As opções variam de 10 a 17 libras, dependendo da 'sequência chinesa'. Geralmente, além do pato crocante, eles servem o básico shop suei, pratos de carnes e legumes. O menu fica mais caro quando entram camarões e outros frutos do mar.

Seguindo a velha e boa teoria da rua paralela, onde tudo geralmente é mais barato, achamos um menu com o tal pato assado por 10 libras no Super Star, restaurante jeitosinho, com bom atendimento.

Alê já mandou uma pilsen chinesa bem gelada e esperamos com o estômago nas costas. Quando começamos a olhar o guardanapo com outros olhos, lá vem o pato: crocante por fora e bem assado por dentro, o crispy duck à moda de Pequim vem derretendo. É desfiado com duas colheres na mesa pelo garçom e serviço com uma cumbuca de finíssimas massinhas, um molhinho meio agridoce e um pratinho com tiras de funcho e pepino. Basta pegar carne já desfiada, montar seu 'burrito' e mandar ver. Simples e delicioso!

O menu ainda incluía três pratos chineses mais simples: frango com legumes, um cozido vegetariano e um prato de lascas de carne de porco empanadas e picantes com cebola. Comemos a valer, pagamos 15 libretas por cabeça e saímos de lá sorrindo. A sequência estava gostosa, mas depois do pato "Super Star", o resto virou figuração.

Super Star Restaurant - 17 Lisle Street - Londres. Tel: 020 7287-1717

Burger Queen

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Na terra da rainha também é possível provar ótimos hambúrgueres no estilo norte-americano e fugir um pouco dos tradicionais e padronizados Whoppers e Big Macs.

Em Covent Garden esbarramos com o Hamburger Union, onde você pede, paga no balcão espera o garçom entregar o pedido na mesa - um misto de fast food e serviço à la carte muito comum por lá. Embora, neste caso, a entrega dos lanches tenha sido 'slow'.

O visual e o cardápio do Union têm aquela pinta de bacana, no clima do bairro. Os preços até que são amigáveis. Por 6 libras comi um senhor cheese salada no pão ciabatta macio acompanhado de uma bem-servida cole slaw.

Outra boa pedida é o Ed´s Easy Diner. Em um fim de noite no Soho, por volta de 22h30, quando, acredite, pubs e restaurantes começam a fechar as portas, o Ed´s nos recebeu de  braços abertos. O ambiente, os uniformes e o atendimento seguem aquele tradicional estilo das lanchonetes norte-americanas da década de 50.

Acomode-se no balcão, peça uma porção de fritas (meia lua) com um generoso molho de queijo cheddar e separe alguns centavos para mandar um clássico de rock ou soul na mini jukie box a seu lado. "Supersticious", de Stevie Wonder, deu um tempero especial aos ótimos sandubas.

Hamburger Union - 4 Garrick Street, Covent Garden - Londres.
Ed´s Easy Diner - 12 Moor Street - Londres.

English breakfast

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Ovos mexidos, tomate grelhado, champignons na chapa ou baked beans (um feijão meio adocicado, nada recomendável a brasileiros), sausage (uma espécie de linguiça com cara de salsicha), uma enorme fatia de bacon (intermediário entre o presunto gordo e a bisteca) e torradas com manteiga para acompanhar. Depois do tradicional "english breakfast" fica difícil até abrir a boca para pedir a conta.

O Caffé Rimini - pertinho da Leicester Square (demorei para sacar, mas pronuncia-se "Lester Square"), que reúne bares, musicais e restaurantes bacanas - oferece o PF matinal dos ingleses por 5 libras. É caro, mas pense bem, já paga o café e o almoço.

O "café-lanchonete-kebab-falafel house" ainda conta com o serviço simpático da Cris, que é brasileira e está em Londres há quatro anos. Se você estiver menos faminto, entretanto, pode pagar menos pelo breakfast. Ao lado do Cine Odeon, pertinho da "Lester", vimos uma oferta a 2,95 libras. Com a economia você pode tomar um sorvete ao lado, no Ben &Jerrys (que delícia), e comprar um evervescente.

Caffé Rimini - 47 Cranbourn Street - Londres. Tel 020 7437-2694

L´amour du vin

O Club du Taste-Vin mudou de nome e endereço nos Jardins. Neste final de semana, passei em frente à simpática loja L´amour du vin, com uma vitrine convidativa de vinhos e resolvi xeretar.

A proprietária, Cristine, estava lá e contou, com seu agradável sotaque francês, que resolveu deixar o bistrô de lado - olhou para cima como quem quer dizer "ah... dá muito trabalho manter um restaurante, sabe?". "Alor", ela continua com a importação direta e o bar de vinhos. Jantares com harmonização de pratos tradicionais da culinária francesa e vinhos serão feitos para grupos agendados (petit comitée).

A parte da loja já está funcionando. Já é possível escolher entre mais de 100 rótulos de diversas regiões da França com alguns preços acessíveis, começando na faixa de 30 a 45 reais. Se o cliente estiver 'atacado' e pedir uma caixa com seis garrafas, o preço cai em cerca de 20%.

Como a loja está em fase 'beta', o bar de vinhos ainda não ficou pronto, mas recomendo a visita. Você pode degustar vinhos em taça acompanhados de ótimos queijos franceses. Um programa bem quentinho para as noites frias de São Paulo.

L´amour du Vin - Rua Padre João Manoel, 964, Jardins - São Paulo. Tel: (11) 3086-1918

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Sanduba de espinha

Pedir um peixe e se deliciar com... as espinhas? Isso já deve ter acontecido com muita gente, mas nada justifica o fato de que o cliente tenha de fazer o trabalho que o pessoal da cozinha não fez - pegar uma pinça e caçar as espinhas no esquema manual.

Essa história da pinça, aprendi na cozinha do querido Renato Frias, no Chef du Jour, em um curso prático de culinária no próprio restaurante. Dá trabalho, mas o importante é deixar o comensal tranquilo, apreciando o sabor do prato e não temendo engasgar com uma espinha entalada na garganta a cada garfada.

A equipe do bar Prainha Paulista levou uma bela bronca do gerente no último sábado. Lá eles preparam o que eu chamo de "Mc Fish superior". O robusto sanduba de filé de peixe empanado, com queijo e vinagrete (12 reais) é delicioso e não costuma ter surpresas. Já peguei algumas espinhas, mas estava tão bom, que deixei passar.

Desta vez, no entanto, meu acompanhante pediu o sanduíche de peixe com queijo, que é um pouco mais simples - no cardápio, além de 2 reais de diferença, este último não vem com vinagrete. A versão mais modesta do que a 'especial' estava saborosa, mas a quantidade de espinhas e escamas por mordida era impraticável.

Será que o cozinheiro preguiçoso imaginou que o pão aliviaria as espinhas dos filés de pescada? Pensou errado. Levou 'pito' da gerência e o sanduba foi trocado por um de calabresa. Bem mais seguro.

A pinça para espinhas de peixe é facilmente encontrada em lojas de utensílios domésticos no bairro da Liberdade. O curso do Renato para pequenos grupos é um delicioso aprendizado.

Chef du Jour - Al. Raja Gabaglia, 133 - Vila Olímpia São Paulo - SP. Tel: (11) 3845-6843 / 3846-1502

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KebAbbey Road

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O tradicional sanduíche de origem turca, que aqui chamamos de 'churrasquinho grego', está em todos os lugares na Europa. Ao contrário daquele que vem com suco grátis, no centro de São Paulo, o kebab de lá é gostoso e, o melhor, barato. Em Paris, segundo o toast do Alê, fritas acompanham.

Em uma bela tarde de ressaca, antes de atravessarmos a Abbey Road com chapéus de nozes de papelão na cabeça - homenagem ao vídeo "As árveres somos nozes" -, Rafa Gobara nos levou para comer kebab em seu bairro, Chiswick.

A pequena e ajeitadinha lanchonete oferecia desde o tradicional kebab do 'rolo de carne', a versões de kafta e frango. As carnes são feitas na chapa e vêm quentinhas dentro do pão sírio com salada de repolho, tomate, picles e até chilli se você aguentar.

A Rafa, que já tem o paladar e o estômago adaptados, mandou ver no chilli. Nós... bom... nós mandamos ver no refrigerante porque 'spicy' era pouco para explicar o quão apimentado estava aquele delicioso sanduba de kafta. "Kebab? Então toma!" comentei.

Dizem que pimenta faz bem à saúde. Os indianos devem acreditar que ajuda a elevar o espírito. Não sei se os turcos piram na pimenta, mas em Londres, onde a culinária não é das melhores, pimenta é sabor.

Felizmente, aqui em São Paulo, já é possível provar um tradicional kebab turco. Outro dia estava andando na Rua Augusta e encontrei o Kebab Salonu. Ainda não provei, mas o lugar e o site causaram boa impressão. Ótima notícia para quem vai fazer uma boquinha ou tomar o café turco para elevar o espírito depois do cinema.

Kebab Salonu - Rua Augusta, 1416, Consolação - São Paulo. Tel.: (11) 3283-0890

Garbo e elegância

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Visitar museus abre o apetite. Depois de um belo passeio pelo Natural History Museum de Londres e uma passada pelo Victoria and Albert Museum, que vale outro dia inteiro de visitação, nada como apreciar as delícias de uma patisserie em um dos bairros mais elegantes da cidade.

indicação de um dos guias era a Patisserie Valerie, bem pertinho do Victoria and Albert. A vitrine exibe estonteantes bolos decorados e o balcão torna praticamente impossível escolher um sanduíche sem pensar que deveria ter pedido outro.

Era aniversário de Rafaela Gobara (gorgeous na foto) e fomos todos ao salão da patisserie para nosso chá da tarde inglês. Tudo, como ela mesma diz, com "garbo e elegância".

Os sanduíches de parma na baguete estavam deliciosos. O bagle com salmão defumado e cream cheese do Valim também estava ótimo. Pedi um belo bule de chá preto com leite e, para finalizar, Alê e eu dividimos um divino mousse de berries (strawberry, rapsberry, blueberry etc.).

A conta não foi tão divina. Como em quase todos os lugares da Europa, na Patisserie Valerie, o preço da comida no balcão fica 2 pounds mais caro se você for comer sentado. E não adiantou reclamar depois. Ce la vie.

De estômagos devidamente forrados e bolsos consequentemente vazios, a poucos metros da patisserie estava a glamourosa loja de departamentos Harrods. Seguindo uma das mil e uma ótimas dicas da Thiane visitamos a delicatessen principal. O lugar é tudo o que os empórios Santa Maria e Santa Luzia (juntos), de São Paulo, gostariam de ser.

Ficamos de queixo caído diante da variedade e da disposição das vitrines com embutidos, rotisserie, patisserie, chás, cafés (incluindo nosso brasileiro vendido a mais de 7 libras o quilo) e muito mais. O Alê até parou para admirar as carnes do açougue, enquanto eu ficava horrorizada com a idéia de jerico da peixaria: peixes frescos dispostos em uma fonte  no estilo clássico, ao lado da virtrine.

Os preços, como bem lembrou Gobara, são exorbitantes, mas dar "uma olhadinha" na deli, de estômago cheio, não custa nada. É um pedacinho da terra dos sonhos... de consumo dos ingleses.

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